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31 março, 2015

Tópicos sobre iluminação

Recebi recentemente  do meu amigo João Batista Peixoto, uma sugestão de assunto para postarmos no blog que é de interesse de um grande número de profissionais de elétrica.
Quando tratamos de iluminação sempre vemos posts e artigos focando o cálculo de iluminação para atendermos uma certa área e quase nunca voltado para o interesse do eletricista que é como efetuar as ligações. Dessa forma passei a dedicar um tempo a pesquisa no site de fabricantes, as ligações dos equipamentos, principalmente as lâmpadas de alta pressão, para auxiliar o dia-a-dia dos eletricistas.

Definições básicas:

Reator:

 É um equipamento utilizado para partida e estabilidade da lâmpada, limitando a corrente elétrica, ajudando no acendimento e proporcionando uma boa luminosidade. Seu uso é obrigatório e indispensável na iluminação com lâmpadas fluorescentes, à vapor de sódio, mercúrio e metálico. Dependendo do tipo de lâmpada, os reatores podem ser divididos em dois grandes grupos: reatores eletromagnéticos, formados basicamente por uma indutância e uma capacitância e os reatores eletrônicos, formados por componentes eletrônicos.

Ignitor:

 Dispositivo usado para iniciar a descarga em lâmpadas à vapor metálico e à vapor de sódio. Sozinho, ou em combinação com o reator, fornece pulsos de tensão que ionizam o caminho da descarga (corrente) e provocam o acendimento da lâmpada.

Lâmpada:

 Fonte primária fabricada para emitir luz. Genericamente, as lâmpadas podem ser divididas em dois grupos:

Lâmpada incandescente:

É aquela que produz luz pelo aquecimento elétrico de um fio (filamento), obtido pela passagem de uma corrente elétrica por ele. Este aquecimento é muito intenso e faz o filamento atingir uma elevada temperatura (incandescência), emitindo radiação na parte visível do espectro. Existem vários tipos de lâmpadas incandescentes, a saber: lâmpada à vácuo, lâmpada halógena, lâmpada dicroica, lâmpada decorativa, lâmpada espelhada ou refletora, lâmpada para fotografia, lâmpada projetora e outras lâmpadas especiais.

 Lâmpada de descarga:

É aquela que produz luz por uma contínua descarga elétrica em um gás, vapor metálico ionizado, ou mistura de gases e vapores, às vezes em combinação com a luminescência de fósforos que são excitados pela radiação da descarga. Tais lâmpadas, em geral, não podem operar sem um dispositivo de limitação de corrente (reator) ligado em seu circuito elétrico. Dependendo da pressão do gás ou vapor durante o funcionamento da lâmpada, ela é classificada em "de baixa pressão", “de alta pressão" ou "de extra-alta-pressão". Existem vários tipos de lâmpadas de descarga, a saber: lâmpada fluorescente tubular, lâmpada fluorescente compacta, lâmpada à vapor metálico, lâmpada à vapor de mercúrio, lâmpada à vapor de sódio, lâmpada de luz mista (lâmpada à vapor de mercúrio com filamento incandescente) e outras lâmpadas especiais.

Starter:

Dispositivo destinado a iniciar a descarga, particularmente em uma lâmpada fluorescente, fazendo o pré-aquecimento adequado dos eletrodos e/ou provocando, em combinação com um reator em série, o pico de tensão necessário para o acendimento da lâmpada.

Relé fotoelétrico:

O relé serve para o acionamento de lâmpadas em função do nível de luminosidade ambiente.

Tipos de reatores:

Reatores Eletrônicos: ABNT NBR 14417/14418 Os reatores eletrônicos oferecem acendimento instantâneo, baixo aquecimento, elevado rendimento, alto fluxo luminoso e sem efeito estreboscópico. Além disso, são leves, silenciosos e ainda reduzem o consumo de energia. Uma ótima opção para a iluminação de escritórios, residências, hospitais e outras áreas internas.



Reatores Eletromagnéticos Convencionais: ABNT NBR 5114 / 5172 De fácil instalação e com pequenas dimensões, os novos reatores convencionais a p r e s e n t a m m e l h o r aproveitamento da vida útil da lâmpada e baixo custo. Precisam ser utilizados em conjunto com starter para acionamento de lâmpadas fluorescentes tubulares e compactas. Fácil instalação com conectores para ligação dos cabos. São ideais na iluminação residencial e comercial. São desenvolvidos de acordo com o padrão europeu CE de qualidade.



Reatores Eletromagnéticos Partida Rápida: ABNT NBR 5114 / 5172 Os reatores eletromagnéticos de partida rápida são utilizados para acendimento de lâmpadas fluorescentes tubulares. São de fácil instalação e ideais para a iluminação de interiores residenciais e comerciais.



Reatores de descarga: ABNT NBR 5125 / 5170 (à Vapor de Mercúrio)ABNT NBR 13593 (à Vapor de Sódio)ABNT NBR 14305 (à Vapor Metálico) Os reatores de descarga são amplamente utilizados na iluminação pública, instalações industriais e de grandes áreas. São produzidos para lâmpadas à vapor de sódio, vapor metálico e mercúrio a alta pressão. Podem ser utilizados para uso externo ou interno/integrado. Possuem fator de potência natural ou alto fator de potência, e podem ser pintados ou galvanizados a fogo.



Ignitores: O ignitor é utilizado em conjunto com o reator de descarga para fornecer uma tensão adequada para ignição da lâmpada.



Como instalar um reator:

Para 1 Lâmpada Tubular e Reator Eletrônico:






Para Lâmpada Dicróica:



Para Duas Lâmpadas Tubulares e Reator Eletrônico:





Para 1 Lâmpada Tubular e Reator Convencional:



Para 2 Lâmpadas Tubulares e Reator Eletromagnético de Partida Rápida:


Reator de Descarga – Interno/Integrado FPN para Lâmpada à Vapor de Mercúrio
Baixo Fator de potência (FPN): 80W a 1000W.


Reator de Descarga – Interno/Integrado AFP para Lâmpada à Vapor de Mercúrio
Alto Fator de potência (AFP): 80W a 1000W.


Reator de Descarga – Interno/Integrado AFP com FC com Lâmpada à Vapor de Mercúrio
Alto Fator de potência (AFP): 80W a 1000W, Com relé fotocélula.


Reator de Descarga – Interno/Integrado FPN com FC para Lâmpada à Vapor de Mercúrio
Baixo Fator de potência (FPN) - 80W a 1000W, com relé fotocélula.


Reator de Descarga – Interno/Integrado FPN para Lâmpada à Vapor Metálico - 250W / 400W / 1000W (padrão HPI).


Reator de Descarga – Interno/Integrado AFP para Lâmpada à Vapor Metálico Alto Fator de potência (AFP): 250W / 400W / 1000W (padrão HPI).


Reator de Descarga – Interno/Integrado AFP com FC para Lâmpada à Vapor Metálico Alto Fator de potência (AFP): 250W / 400W / 1000W (padrão HPI), com relé fotocélula.


Reator de Descarga – Interno/Integrado FPN com FC para Lâmpada à Vapor Metálico
Baixo Fator de potência (FPN): 250W / 400W / 1000W (padrão HPI) com relé fotocélula.


Reator de Descarga – Interno/Integrado FPN para Lâmpadas à Vapor de Sódio/Metálico Baixo Fator de potência (FPN): 
• À vapor de sódio - 70W a 1000W
• À vapor metálico - 70W a 1000W (padrão acendimento sódio)
• À vapor metálico - 250W a 400W (padrão TUNG / PULSE)


Reator de Descarga – Interno/Integrado AFP para Lâmpada à Vapor de Sódio/Metálico Alto Fator de potência (AFP):
• À vapor de sódio - 70W a 1000W
• À vapor metálico - 70W a 1000W (padrão acendimento sódio)
• À vapor metálico - 250W a 400W (padrão TUNG / PULSE)



Reator de Descarga – Interno/Integrado AFP com FC para Lâmpada à Vapor de Sódio/Metálico Alto Fator de potência (AFP):
• À vapor de sódio - 70W a 1000W
• À vapor metálico - 70W a 1000W (padrão acendimento sódio)
• À vapor metálico - 250W a 400W (padrão TUNG / PULSE)
• Com relé fotocélula.



Reator de Descarga – Interno/Integrado FPN com FC para Lâmpada à Vapor de Sódio/Metálico 
Baixo Fator de potência (FPN):
• À vapor de sódio - 70W a 1000W
• À vapor metálico - 70W a 1000W (padrão acendimento sódio)
• À vapor metálico - 250W a 400W (padrão TUNG / PULSE )
• Com relé fotocélula.


Reator de Descarga – Externo FPN para Lâmpada à Vapor de Mercúrio, Baixo Fator de potência (FPN), de 80W a 1000W.


Reator de Descarga – Externo FPN com FC para Lâmpada à Vapor de Mercúrio Baixo Fator de potência (FPN), de 80W a 1000W, com relé fotocélula.



Reator de Descarga – Externo AFP ou FPN com base para FC incorporada Alto e Baixo Fator de potência (FPN e ):
• À vapor de sódio - 70W a 400W
• À vapor metálico - 70W a 400W
• À vapor de mercúrio - 80W a 400W
• Com base para relé fotocélula incorporada.


Reator de Descarga – Externo AFP ou FPN Alto e Baixo Fator de potência (FPN e AFP):
• À vapor de sódio AFP e FPN - 70W a 1000W
• À vapor metálico AFP e FPN - 70W a 2000W



Reator de Descarga – Externo AFP com FC Alto Fator de potência (AFP):
• À vapor de sódio - 70W a 1000W
• À vapor metálico - 70W a 2000W
• À vapor de mercúrio - 80W a 1000W
• Com relé fotocélula.


Lembrando que pesquisei nos sites das marcas mais comuns encontradas no mercado de materiais elétricos, de forma que existem pequenas variações nas formas de ligação, entretanto o básico das ligações estão aí. Os equipamentos quando comprados novos vem com instruções de ligação e montagem oque garante a ligação correta independente da marca.

Fonte de pesquisa: DEMAPE

19 março, 2015

Como descobrir a potência de um transformador?

Você já se deparou com uma situação onde existe a necessidade de substituir um transformador em uma determinada instalação e ao encontrar o provável substituto desta máquina elétrica você repara que esta não possui a placa de identificação. O que fazer? Bom, neste artigo iremos aprender como identificar a potência elétrica de um transformador de maneira muito simples. Mas antes aconselho que leia um artigo que colocamos no dia 1 de fevereiro de 2005 sobre esta máquina elétrica tão usual e tão importante em nossas instalações.
O dimensionamento e respectivamente a construção de um transformador e a seleção das partes que o compões são definidas através de vários fatores, por exemplo, o seu núcleo que tem relação direta a sua potência.
DEFINIÇÃO DE POTÊNCIA ATRAVÉS DO NÚCLEO DO TRANSFORMADOR
Se você é um profissional da área elétrica ou eletrônica, com certeza já se deparou com um transformador e se não pertence a esta área você pode conhecer o transformador clicando aqui, na verdade esta máquina elétrica esta presente em muitos equipamentos que nos rodeiam, seja na fonte de alimentação de um microcomputador ou, porque não, em uma partida de motor por auto transformador.
A Potência do transformador esta relacionada ao seu núcleo
O detalhe é que em muitas situações e na maioria das vezes emergenciais nos deparamos com a necessidade de substituir um transformador e por se tratar de um equipamento que possui, normalmente, vida útil longa, ao buscarmos as características nominais deste notamos que já não existe, seja em função do desgaste da placa de identificação ou mesmo a ausência desta, então o que fazer?
O NÚCLEO
O núcleo do transformador diz muito a respeito de suas características e é através deste que conseguimos estimar uma das principais de suas características, sua potência.

Seremos objetivos, o núcleo do transformador traz para nós, com muita precisão a potência nominal suportada por este. Podemos dizer então que o quadrado da área do núcleo do transformado reporta a nós sua potência. Observe a imagem abaixo:

Imagine que você esta com um transformador que possui núcleo do tipo “E” e necessita descobrir sua potência, podemos então estimar a potência elétrica que será dada em Volt Ampere (VA) com um simples cálculo das dimensões de seu núcleo. Lembre-se que o cálculo apresentado abaixo refere-se ao núcleo do transformador independente de seu modelo, seja ele tipo E ou qualquer outro modelo, somente atente-se em encontrar efetivamente o núcleo do transformador em questão
Calculando a área do núcleo do transformador
Para iniciarmos devemos levantar duas dimensões do núcleo do transformador, sua profundidade e sua largura, simples não é?
Podemos observar através da medição que este possui 4cm de largura por 5cm de profundidade. A área em questão será a área de um retângulo que será dada pelo produto destas duas dimensões, certo? Então seguiremos a fórmula ao lado e chegamos a um valor de 20cm² como ilustrado.
A = 5 x 4 (cm)
A = 20cm²
Calculando a potência elétrica em VA
Agora podemos determinar a potência do trafo tendo em mãos apenas um simples cálculo conforme a seguir. Você poderia imaginar que a área do transformador seria tão importante para sua potência? Bom, observe a “mágica”:
P = 20²
P = 400VA
A potência elétrica do transformador, por sua vez, será determinada em função do cálculo ao lado que simplesmente será dada em função do quadrado da área calculada anteriormente, observe na imagem ao lado que foi possível encontrar um valor de aproximadamente 400VA.
Como podemos observar, esta dica pode ser valiosíssima se tratando de um simples dimensionamento onde basta dois simples cálculos para conseguirmos estimar a potência elétrica de um transformador.

19 fevereiro, 2015

Cabos elétricos

 Condutores

Os materiais atualmente utilizados como condutores elétricos são o cobre e o alumínio. No caso de cabos isolados o cobre tem sido preferido, visto que para transmissão da mesma quantidade de energia deve-se utilizar uma seção de alumínio cerca de 70% maior do que a de cobre, fazendo com que os volumes da isolação e cobertura sejam também acrescidos.
De acordo com as características mecânicas, o cobre pode ser classificado em três categorias de têmpera, ou seja: mole (ou recozido), meio duro e duro, com propriedades distintas, sendo o cobre mole o de menor resistividade e o duro, o de maior resistência mecânica à tração. O cobre mole é recomendável para aplicação geral em condutores isolados ou não, onde se deseja alta condutibilidade e flexibilidade, sendo a resistência à tração fator secundário.
Os Condutores dos cabos de energia podem ser formados por um único fio ou pela reunião de vários fios formando cordas. As cordas são concebidas para chegar-se a diferentes graus de flexibilidade, a qual depende da relação entre a seção total do condutor e a do fio elementar, do passo da corda e do grau de recozimento do material.
De um modo geral, quanto maior for o número de fios componentes, mais flexível será o cabo.
Na sua concepção os condutores podem ter as seguintes construções:

§  Fios e cabos com encordamento simples.
Neste caso o condutor é formado por um único fio ou por duas ou mais camadas concêntricas de fios de mesmo diâmetro em torno de um fio central.
As formações padronizadas para cabos com encordamento normal são:

7 fios   (1+6)
19 fios (1+6+12)
37 fios (1+6+12+18)
61 fios (1+ 6+12+18+24) etc

Ou seja, cada coroa possui um número de fios igual à última acrescida de mais seis.


§  Cabos redondos com encordamento compactado

Após a formação da corda, esta é compactada por uma matriz tornando o diâmetro do cabo resultante significativamente menor, uma vez que os espaços vazios são substancialmente reduzido.
As vantagens decorrentes da construção compacta são inúmeras destacando-se que os cabos isolados terão um menor diâmetro final, permitindo um melhor aproveitamento dos dutos e menores raios de curvatura e, principalmente, devido à diminuição do volume de materiais isolantes e protetores.


§  Condutores Setoriais Compactados.

São normalmente utilizados em cabos multicondutores (três ou quatro condutores) para que se obtenham cabos com menor diâmetro interno.


§  Condutores Redondos com  Encordamento Composto.

       São formados pela reunião de vários condutores previamente encordoados, chamados cochas.
       Esta modalidade de encordoamento é utilizada em cordões que exigem grande flexibilidade devido a sua movimentação contínua durante seu ciclo de operação em condições de uso.


Nos casos de condutores redondo convencional são as seguintes as classes de encordoamento padronizadas pela ABNT.

CLASSE DE ENCORDOAMENTO
APLICAÇÃO
1
Fio circular de seções nominais de 0,5mm2 a 150mm2 (acima de 16mm2 considerados especiais)
2
Cabos de energia em geral circulares compactados ou não até 2000mm2 e condutores não circulares compactados
3
Cabos de energia não compactados circulares de 10 a 185 mm2
4
Cabos flexíveis de 0,5 a 500mm2
5
Cabos flexíveis de 0,5 a 630mm2
6
Cabos flexíveis de 0,5 a 300mm2
No caso de condutores setoriais, anulares e segmentados, a experiência de cada fabricante permite a solução ótima do problema.


Blindagem do Condutor

A blindagem do condutor, constituída por materiais condutores não metálicos (normalmente chamados semicondutores) tem como principais finalidades dar uma forma de perfeitamente cilíndrica ao condutor e eliminar  espaços vazios entre o condutor e a isolação. No caso de um condutor encordoado de um cabo de média ou alta tensão não possuir um recobrimento com material condutor, o campo elétrico assume um forma distorcida, acompanhando a superfície do condutor. Nestas condições, o dielétrico é solicitado de um modo não uniforme, sendo que, em alguns pontos, estas solicitações poderão ultrapassar os limites permissíveis à isolação, resultando em uma depreciação na vida do cabo. Além disto, no caso de dielétricos sólidos, quando da extrusão da isolação diretamente sobre o condutor, poderão surgir bolhas de ar nos locais onde o material isolante não penetrou totalmente entre os fios, e o ar será então ionizado pela ação do campo elétrico e ocorrerão descargas parciais que irão danificar tanto a isolação até a sua perfuração, devido tanto ao bombardeio de elétrons, gerando calor e erosão, quanto ao ataque de ozona.


Em geral, cabos com tensão nominal a partir de 1,8/3 kV possuem condutores blindados.
       No caso de cabos com dielétricos sólidos, a blindagem do condutor, constituída por material condutor não metálico, é aplicada, por extrusão, simultaneamente com a camada isolante.

Materiais Isolantes

Um dos componentes de maior importância de um cabo de energia é a sua isolação. A necessidade crescente de maiores gradientes de serviço, para os cabos modernos, resulta no desenvolvimento tecnológico contínuo, objetivando o aprimoramento dos dielétricos e processos em uso e a criação de novos tipos.
Na escolha do material isolante a ser usado, são determinantes algumas características, tais como:

a)      Elevada rigidez dielétrica perante solicitações a 60 Hz e de impulso (descargas atmosféricas e surtos de manobra);
b)      Baixas perdas dielétricas;
c)      Fácil dissipação de calor e, portanto baixa resistividade térmica;
d)     Resistência ao envelhecimento nas condições de tensão
- Temperatura de serviço desejadas. Espera-se normalmente que os cabos tenham uma vida superior a 20 anos.
e)      Flexibilidade, principalmente nas instalações de equipamentos móveis.

 Dielétricos sólidos

Os dielétricos do tipo sólido podem ser divididos em duas Categorias, segundo o seu comportamento térmico:

-  Termoplástico
-  Termofixo

Estas duas categorias de materiais se distinguem principalmente quanto à sua estabilidade térmica e quanto ao seu processo de fabricação.

 Dielétricos Termoplásticos

Os principais dielétricos do tipo termoplástico atualmente em uso como isolação para cabos de energia são:
-  Polietileno linear (PE)
-  Cloreto de polivinila (PVC)
Os termoplásticos, obtidos diretamente da extrusão do material isolante sobre o condutor, são materiais que quando sujeitos a um aumento gradativo de temperatura mantém seu estado sólido até cerca de 120°C e, a partir daí perdem suas características mecânicas e amolecem até tornarem líquidos. Na prática, os compostos termoplásticos tem sua temperatura de regime normal e transitório limitada para que seja evitada a movimentação relativa do condutor no universo isolante, acarretando uma redução de sua espessura e ocasionando defeito no sistema.
Os compostos de PVC tem se mostrado adequados para a utilização em redes de distribuição em baixa tensão residenciais e industriais devido a sua ótima resistência mecânica e sua estabilidade perante o ataque de agentes químicos.
Já os compostos de polietileno linear (PE) a partir de tensões nominais de 1,8/3 kV tem-se mostrado mais vantajosos do que o PVC devido as suas superiores propriedades dielétricas.

 Dielétricos Termofixos

Os dielétricos termofixos, obtidos a partir da extrusão e vulcanização do material, caracterizam-se por manter seu estado físico mesmo em regimes onde altas temperaturas estão envolvidas, uma vez que quando se eleva sua temperatura além do limite admissível o material se carboniza sem se tornar líquido.
Na prática a temperatura de regime permanente recomendável é de 90°C, sendo que em regime de emergência se permite atingir 130°C e durante transitórios provenientes de curtos-circuitos os termofixos podem suportar, sem se deteriorar, temperaturas de até 250°C.
A excelente estabilidade térmica destes materiais permite que mais potência seja transportada utilizando-se a mesma seção de condutor do que o similar termoplástico e, principalmente, em sistemas onde se tem alto nível de curto-circuito, uma economia global poderá ser obtida com aplicação de isolamento termofixos.
Os principais dielétricos termofixos (vulcanizados) utilizados em cabos de energia são:

-  Polietileno reticulado (XLPE)
-  Borracha etileno propileno (EPR)

O XLPE, além das excelentes propriedades dielétricas, apresenta um baixo fator de potência o que faz com que suas perdas dielétricas sejam mínimas quando comparadas com os demais materiais isolantes. A borracha etileno propileno (EPR) apresenta como propriedades mais importantes a sua alta resistência a descargas parciais e sua boa flexibilidade a frio.
Em particular, o EPR devido a sua boa flexibilidade encontra aplicação como isolação de cabos de controle dos cabos de baixa tensão para a indústria naval e de plataforma de prospecção de petróleo
Os cabos isolados com polietileno reticulado (XLPE) e borracha etileno propileno (EPR), têm sido preferidos como uma alternativa técnico-econômica para a substituição dos cabos de papel impregnado em sistemas de distribuição em baixa, média e alta tensão.

Blindagem da Isolação

A função principal da blindagem da isolação é a de propiciar uma distribuição radial e simétrica de campo elétrico fazendo com que o dielétrico seja uniformemente solicitado. Da mesma forma que a blindagem do condutor, a blindagem da isolação para ser efetiva deverá manter um perfeito contato com a superfície externa da isolação, eliminado assim a possibilidade de bolhas de ar que dariam lugar as descargas parciais. A blindagem da isolação proporciona também uma capacitância uniforme entre o condutor e a terra o que representa uma impedância característica (Zo) uniforme ao longo do cabo evitando pontos com grande concentração de linhas de campo, o que acarreta uma melhor performance perante às solicitações de impulso.
A blindagem da isolação é constituída por meio de uma camada de material condutor não metálico que além de uniformizar o campo elétrico possui condutância suficiente para o transporte das correntes de fuga e capacitavas. A blindagem metálica sobre esta semicondutora é por meio de fitas ou fio de cobre que tem a função de transporte de correntes induzidas ou de curto-circuito.


Em geral os cabos com tensão nominal a partir de 1,8/3 kV possuem blindagem da isolação.
No caso de cabos com dielétricos sólidos a blindagem da isolação pode ter uma das seguintes construções:

-  Material condutor não-metálico, de fácil remoção a frio, obtido, a partir da  extrusão.
-  Aplicação contínua de verniz semicondutor sob fita semicondutora.

A blindagem metálica pode ser formada pela aplicação helicoidal de fitas de cobre sobrepostos ou pela aplicação de fios de cobre.
Para sistema com alto nível de curto-circuito fase-terra é recomendável a especificação de cabos com blindagem de fios de cobre que além de uma maior capacidade de corrente possui impedância praticamente constante ao longo da vida do cabo.


Proteção

Coberturas

Para o núcleo do cabo que é constituído pelas camadas internas, abaixo da cobertura foi determinante na escolha destes materiais as características elétricas, mecânicas e químicas. Nota-se que até o núcleo, as características de resistência a agentes químicos ou mecânicos externos, executando-se casos particulares, não são consideradas em primeiro plano.
É necessário então que em função das condições de instalação, sejam projetadas coberturas como proteção ao núcleo do cabo, em função do meio e dos elementos que mais possam afetar a vida e a integridade do núcleo, mantendo, contudo uma coerência de flexibilidade quando necessário.

Na escolha do material para cobertura a ser usada são fundamentais algumas características, tais como:

a)      Impermeabilidade
b)      Resistência a abrasão, rasgamento e impacto
c)      Inflamabilidade
d)     Baixa emissão de gases durante eventual queima
e)      Estabilidade térmica
f)       Resistência ao ataque de agentes químicos e atmosféricos
g)      Flexibilidade

Dentre os materiais adotados para coberturas em cabos, os seguintes se destacam, devido às suas diferentes performances perante uma particular aplicação:



-         Cloreto de polivinila (PVC)
-         Cloreto de polivinila resistente à chama (PVC-TRC)
-         Polietileno linear (PE)
-         Polietileno Clorossulforado – CSP (Hypalon)
-         Policloroprene (neoprene)
-         Material não halogenado



Armações

No Caso de instalações mais sujeitas a esforços ou danos mecânicos podem ser previstas proteções metálicas adicionais sendo os tipos mais comumente adotados os seguintes:

Armações de fitas de Aço galvanizado

São normalmente utilizadas em cabos múltiplos instalados diretamente no solo onde nenhuma outra proteção contra golpes e esforços transversais é prevista.
Em caso de cabos instalados em túneis e galerias esta modalidade de armação é particularmente adequada à proteção contra ataque de roedores.

Normalmente a armação é protegida contra corrosão por uma cobertura a qual facilita também os serviços de instalação.
No caso de cabos instalados diretamente no solo onde é prevista sua proteção por meio de lajotas de concreto a armação perde sua finalidade. 

Armação com Fios de Aço Galvanizado

São normalmente utilizados em cabos múltiplos instalados em locais pantanosos ou em instalações subaquáticas protegendo o cabo contra esforços longitudinais (tração). Este tipo de armação é também recomendado quando da instalação de cabos na vertical onde o peso do cabo deve ser suportado pela armação.



Armação com Fitas Corrugadas Intertravadas (“Interlocked”)

Este tipo de armação cumpre o mesmo objetivo que a composta por fitas planas, ou seja, proteger o núcleo do cabo contra esforços mecânicos radiais.


No caso de cabos singelos, para se evitar perdas adicionais, são empregados materiais não magnéticos, ou seja, fitas ou fios de bronze caso se deseje proteger contra golpes ou esforços de tração respectivamente.